A tokenização de ativos vem transformando profundamente o mercado financeiro, oferecendo uma nova forma de negociar e fracionar ativos do mundo real. Ao converter propriedades, ações, recebíveis e até obras de arte em tokens digitais, abre-se espaço para uma liquidez sem precedentes no mercado. Neste artigo, exploramos o conceito, a infraestrutura necessária, dados de mercado, casos de uso, vantagens estratégicas, riscos e as tendências que moldarão o futuro desse universo.
A tokenização de ativos é o processo de criar representações digitais, ou tokens, de ativos físicos ou nativos em uma rede blockchain ou DLT. Cada token pode corresponder à totalidade ou a uma fração do ativo subjacente, conferindo direitos econômicos e de uso ao detentor.
Esse mecanismo possibilita a transferência de propriedade de forma rapidez e transparência incomparáveis, apoiada em contratos inteligentes (smart contracts) que garantem a execução automática de cláusulas e regras definidas previamente. Modelos de tokenização variam entre ativos preexistentes e tokens nativos, com diferentes níveis de complexidade técnica e regulatória.
Antes da emissão de tokens, é essencial realizar uma avaliação profunda do ativo, verificando sua conformidade jurídica e regulatória. A escolha da plataforma blockchain — seja Ethereum, Solana, Polygon ou redes permissionadas — definirá aspectos como custo de transação, velocidade e segurança.
Em seguida, ocorre a transferência de propriedade pelo registro em cartório ou por via eletrônica, dependendo do ativo. A etapa de emissão, por meio de contratos inteligentes, converte o valor econômico em frações digitais negociáveis. A listagem em exchanges ou plataformas especializadas permite que investidores comprem e vendam cada token de forma autônoma, sustentando um mercado secundário.
Por fim, a gestão fiduciária automatizada e segura garante o custódia e a auditoria contínua dos registros, reduzindo riscos de fraude e oferecendo rastreabilidade completa.
O potencial disruptivo da tokenização reside em benefícios que impactam toda a cadeia de valor:
O Brasil se destaca como líder em ativos tokenizados na América Latina, ultrapassando a marca de US$ 1 bilhão emitidos até meados de 2025. No primeiro semestre deste ano, o volume transacionado atingiu R$ 2,2 bilhões — número que deve superar R$ 4 bilhões até dezembro, com potencial de chegar a R$ 10 bilhões em cenários otimistas, conforme projeções do setor.
O crescente interesse de fundos de venture capital é notório: 71% já alocam recursos em startups que desenvolvem soluções de blockchain e tokenização, quase o dobro em relação ao ano anterior. Grandes bancos, gestoras de recursos e plataformas independentes participam de projetos-piloto, acelerando a maturidade do ecossistema.
Plataformas como o Mercado Bitcoin já lançaram tokens lastreados em consórcios de imóveis, permitindo que investidores tenham participação em empreendimentos de alto valor sem mobilizar grandes quantias. Fundos imobiliários tokenizados, debêntures e direitos creditórios são casos cada vez mais frequentes, oferecendo ganhos de eficiência e democratização do capital.
Projetos de tokenização de royalties musicais, programas de fidelidade e créditos de carbono também ganham destaque. Empresas do setor energético e ambiental utilizam tokens para rastrear e comercializar créditos de carbono, promovendo transparência e compliance com metas de ESG.
Outro ponto crítico é a resistência de parte do mercado financeiro tradicional e a necessidade de formar profissionais capazes de operar e auditar sistemas de DLT, garantindo a confiança de investidores e reguladores.
Além disso, espera-se que tecnologias de camada 2 e soluções de roll-up reduzam custos de transação, tornando a tokenização ainda mais acessível e escalável.
Para organizações que desejam entrar nesse cenário, o primeiro passo é mapear ativos com viabilidade legal e econômica. Participar de um sandbox regulatório da CVM ou de iniciativas similares proporciona segurança jurídica durante os testes. Definir parcerias com plataformas de emissão consolidadas também ajuda a reduzir erros operacionais.
Investir em capacitação de equipes, segurança cibernética e governança de dados é fundamental. A construção de dashboards de monitoramento e relatórios automatizados aumenta a transparência e a confiança de investidores.
Por fim, cultivar uma rede de stakeholders — incluindo consultores jurídicos, desenvolvedores de smart contracts e auditores independentes — é a chave para escalar projetos com eficiência e mitigar riscos.
Ao romper barreiras tradicionais de liquidez e acesso, a tokenização de ativos inaugura uma nova era de investimentos, na qual qualquer pessoa pode participar de ativos antes restritos a grandes investidores. Trazendo liquidez sem precedentes no mercado e democratizando o acesso, essa tecnologia tem potencial para transformar economias inteiras.
O Brasil, em especial, vive um momento único de convergência entre regulação, inovação e demanda de mercado. Agora é a hora de se preparar, aprender e investir em tokenização, garantindo que empresas e investidores colham os frutos de um universo de liquidez ilimitada.
Referências