Em um cenário onde a transformação digital no setor está instaurada, as seguradoras buscam estratégias inovadoras para responder às demandas de um público cada vez mais exigente. A combinação de dados, inteligência artificial e experiências fluídas redefine o conceito de proteção, criando ofertas sob medida para cada cliente.
O mercado brasileiro de seguros apresentou um crescimento de 8,09% nos primeiros cinco meses de 2025, alcançando R$88,08 bilhões em prêmios de danos e pessoas. Microsseguros, antes nichados, dispararam com 18,17% de expansão, totalizando R$780 milhões. O segmento de automóveis atingiu R$24,01 bilhões (+5,89%) e seguro viagem somou R$390 milhões (+11,66%). Além disso, as companhia devolvem à sociedade R$110,55 bilhões em indenizações e benefícios, enquanto as provisões técnicas superam R$1,9 trilhão, equivalentes a 15,85% do PIB.
Globalmente, o setor projeta prêmios em torno de US$7,6 trilhões em 2025, impulsionado pela digitalização e automação de processos e pelo fortalecimento das provisões técnicas.
A adoção de ferramentas digitais transformou cada etapa da jornada do cliente. Sistemas integrados de CRM, plataformas de multicálculo e automação de propostas reduzem custos e ampliam a velocidade de resposta. A inteligência artificial, por sua vez, atua em diversos pontos-chave:
Com base em big data e machine learning, as seguradoras conseguem oferecer seguros sob demanda, ativados por geolocalização ou por ciclos de uso. Exemplos práticos incluem coberturas por quilômetro rodado em mobilidade urbana e planos de saúde com bonificações atreladas a hábitos saudáveis monitorados por aplicativos.
O novo consumidor é digital, ágil e exigente. Ele valoriza a autonomia e a rapidez, mas ainda aprecia o contato humano em momentos críticos. Para encantá-lo, as empresas passaram a cruzar dados de comportamento, histórico de sinistros e micromomentos da vida para ofertar:
• Coberturas ajustadas a eventos pontuais, como viagens ou mudanças de residência.
• Programas de fidelização que recompensam hábitos saudáveis, com descontos em renovações.
• Mensagens e notificações no momento exato, garantindo relevância e evitando spam.
Essa oferta hiperpersonalizada e centrada no cliente aumenta a satisfação, reduz churn e contribui para o fortalecimento de relacionamentos de longo prazo.
As parcerias estratégicas ampliam o alcance das seguradoras. O modelo Affinity, por exemplo, integra seguros a plataformas de varejo, bancos e operadoras de telecom, permitindo que o consumidor adquira proteção de forma fluida, sem burocracia.
Esses modelos geram novas fontes de receita e democratizam o acesso à cobertura, ao mesmo tempo em que mantêm margens saudáveis e preveem riscos com maior acurácia.
Coletar e utilizar grandes volumes de dados impõe responsabilidades. A privacidade e a transparência nas decisões algorítmicas são demandas de reguladores e consumidores. É fundamental:
• Garantir consentimento claro para uso de informações pessoais;
• Apresentar relatórios de atuação de modelos de IA;
• Manter canais humanos de atendimento para casos complexos;
• Equilibrar automação com empatia, preservando o papel do corretor.
Sem esse cuidado, há risco de perda de confiança e penalizações regulatórias.
Até 2025, a expectativa é que o Open Insurance evolua, permitindo maior integração entre fintechs, insurtechs e plataformas globais. O uso de wearables e dispositivos IoT deve impulsionar seguros baseados em comportamento em tempo real, enquanto a IA generativa aprimora a personalização de mensagens e produtos.
Investimentos em cibersegurança serão cruciais para proteger o patrimônio e a privacidade dos clientes. Ao mesmo tempo, a educação digital do consumidor se tornará uma frente estratégica, reforçando a compreensão dos benefícios e limites de cada cobertura.
No horizonte, a combinação de tecnologia de ponta e sensibilidade humana definirá as empresas líderes, capazes de oferecer seguros não apenas como produto, mas como experiência contínua e de confiança.
Referências