Em um momento de rápidas mudanças econômicas e tecnológicas, a regulação global vive um ponto de inflexão. Este artigo explora cenários futuros, tendências emergentes e desafios práticos para líderes e profissionais no mercado.
Nas últimas décadas, a fragmentação geoeconômica sem precedentes reestruturou cadeias de suprimentos e redes comerciais. Investimentos diretos estrangeiros vêm sendo redirecionados para blocos de aliados, reduzindo a eficiência logística e fomentando novos arranjos estratégicos.
Dados recentes mostram que o superávit comercial dos EUA com a China declinou, enquanto cresce com México e mercados asiáticos. Por sua vez, a China ampliou seu superávit com economias emergentes de US$ 272 bilhões em 2022 para US$ 350 bilhões em 2023, elevando sua participação nesses destinos de 30% para 70% no mesmo período.
Esse movimento acentua a disputa de influência entre o Ocidente e o Sul Global, com países asiáticos liderando parcerias comerciais e investimentos em infraestruturas em rápido desenvolvimento.
A urgência climática impulsiona um esforço conjunto para unificar padrões e normativas. Sob liderança brasileira, empresas e governos de China, União Europeia, Alemanha, França, Canadá e Reino Unido firmaram um acordo para estabelecer transparência, liquidez e credibilidade aos créditos de carbono.
Atualmente, a coalizão cobre aproximadamente 20% das emissões globais e debate critérios de monitoramento, relato e verificação (MRV), contabilidade de carbono e intercâmbio de ativos regionais. O objetivo é promover a interoperabilidade entre mercados antes isolados.
No horizonte está a COP30, onde se espera consolidar metas ambiciosas rumo a uma transição gradual e definitiva do uso de combustíveis fósseis, utilizando o mercado regulado de carbono como ferramenta eficaz de descarbonização.
A União Europeia avança em uma estratégia ambiciosa de simplificação regulatória para o mercado único. A meta é reduzir corte de 25% da burocracia geral e 35% para pequenas e médias empresas até 2029, uniformizando normas e digitalizando processos.
Espera-se que essas iniciativas fortaleçam a competitividade regional, facilitem o trânsito de bens e serviços, e estimulem a inovação em setores como construção, logística e comércio digital.
O Banco Central do Brasil implementou regras pioneiras para o mercado de criptoativos, estabelecendo segurança jurídica, transparência e conformidade internacional. Exigem-se segregação patrimonial, padrões de governança equivalentes a instituições financeiras tradicionais e mecanismos robustos de prevenção à lavagem de dinheiro.
Embora fortaleça o ambiente para grandes players, as fintechs menores enfrentam desafios de capital e governança. O diálogo contínuo com o regulador promete ajustes graduais até 2026, promovendo uma integração mais segura e eficiente desses ativos ao sistema financeiro.
Inspirado em legislações da Alemanha, Reino Unido e Japão, o projeto de lei brasileiro para as big techs propõe medidas para coibir abusos de posição dominante, garantir interoperabilidade e estabelecer boas práticas segundo recomendações da OCDE.
Ao disciplinar o ecossistema digital, busca-se um ambiente mais justo para consumidores e empresas, incentivando inovação sem sacrificar a segurança e a privacidade.
A transformação digital e inclusão social são vetores decisivos para a regulação futura. Cerca de 30% da força de trabalho global já atua em plataformas digitais, o que exige políticas de educação digital, conectividade universal e governança ética da inteligência artificial.
Programas de capacitação e parcerias público-privadas são fundamentais para mitigar a exclusão tecnológica e garantir que a inovação impulsione benefícios coletivos.
O futuro regulatório oscila entre dois vetores: a convergência para harmonização de regras e a fragmentação baseada em interesses geoeconômicos. Equilibrar esses polos será determinante para assegurar competitividade, proteção ao consumidor, estabilidade financeira e descarbonização efetiva.
Para gestores e formuladores de políticas, a lição é clara: construir pontes entre mercados, promover parcerias estratégicas globais e adotar abordagens regulatórias flexíveis, capazes de acompanhar a velocidade da inovação.
No limiar de uma nova era, a regulação global deve se reinventar. Só assim será possível enfrentar a complexidade de desafios emergentes e garantir que o progresso econômico ande de mãos dadas com o desenvolvimento sustentável e a inovação social.
Profissionais dos setores público e privado são convidados a colaborar em redes de conhecimento, compartilhar melhores práticas e co-criar soluções que promovam mercados resilientes, inclusivos e preparados para o futuro.
Referências